MIT: Como nos prepararmos para a era das Máquinas Inteligentes

MIT: Como nos prepararmos para a era das Máquinas Inteligentes

Um novo relatório do MIT propõe ideias para nos prepararmos para a era da Automação e Inteligência Artificial

A era das máquinas inteligentes está chegando, e é importante que saibamos nos preparar e resolver nossos problemas humanos antes, sob risco de exacerbá-los posteriormente.

De acordo com o pensamento corrente, as tecnologias de automação e inteligência artificial tem o potencial de causar desemprego em massa, principalmente entre trabalhadores menos qualificados, como por exemplo trabalhadores em setores de manufatura ou que realizam trabalhos repetitivos (caixas de supermercados, cobradores em transporte público, vendedores de lojas, etc.).

Mas será que realmente teremos m exército de milhões de pessoas sem trabalho? Um estudo conduzido por especialistas do MIT durante dois anos e meio concluiu que, apesar de inúmeras ocupações realmente virem a desaparecer por conta das tecnologias emergentes, outras tantas podem ser criadas e empregos para as classes de trabalhadores mais baixas surgirão.

Ou seja, a tecnologia elimina empregos e ao mesmo tempo cria novos empregos – algo recorrente na história da ciência e tecnologia humanas. Por exemplo, cerca de 63 % das ocupações atuais sequer existiam nos anos 40 – e muitas das ocupações de décadas atrás não existem mais.

O relatório, intitulado “The Work of the Future: Building Better Jobs in an Age of Intelligent Machines” (“O Trabalho do Futuro: Criando Melhores Empregos na Era das Máquinas Inteligentes”), pode ser baixado lido na íntegra a partir desta página: https://workofthefuture.mit.edu/research-post/the-work-of-the-future-building-better-jobs-in-an-age-of-intelligent-machines/

Um dos pontos principais do estudo é a ideia de que, apesar de muitos esperarem que as máquinas e automação venham a tomar conta de nossas vidas no futuro, ainda há tempo suficiente para nos prepararmos de forma adequada e garantir assim uma transição suave – e inteligente – para a era da Inteligência Artificial.

De acordo com o relatório, o grande problema não são as máquinas e tecnologias em si, mas sim nossos próprios problemas – os problemas humanos já existentes – que poderão ser ampliados de forma catastrófica se não nos preocuparmos e tomarmos ações desde já.

Vejamos 10 maneiras pelas quais os humanos podem se preparar para a era da automação.
(de acordo com o estudo; não é necessariamente minha opinião pessoal, apesar de eu adaptar em alguns momentos o estudo para a realidade brasileira).

1 – Aumentar o investimento do setor privado em habilidades e treinamento

Treinar os funcionários é de crucial importância para garantir que eles sejam requalificáveis e aptos a assumir novos postos de trabalho dentro das organizações, e para que trabalhadores de ocupações mais simples e com menor nível educacional possam exercer funções mais complexas.

2 – Aumentar de forma significativa investimentos federais em programas de treinamento

Investimentos devem ser feitos pelo Governo Federal em treinamentos e qualificação, especialmente para pessoas com nível escolar mais baixo, como trabalhadores que não concluíram o Ensino Médio ou Fundamental (falando de Brasil; o relatório lida especificamente com a realidade nos EUA).

3. Apoiar Faculdades e Instituições de Ensino

As faculdades (e, em nosso caso, as Escolas Técnicas) deveriam ser apoiadas pelos governos com dinheiro e programas de avanço que permitam conectar os empregadores com a educação que está sendo oferecida aos estudantes. Principalmente, tentar garantir que mais estudantes consigam finalizar os cursos de graduação.

4 – Investir em métodos de treinamento inovadores

De acordo com os autores do relatório, a “inovação aumenta a quantidade, qualidade e variedade do trabalho que um trabalhador pode realizar em um dado período de tempo, e este aumento de produtividade habilita o aumento nos padrões de vida e o florescimento do empenho humano”.

Assim, foco deve ser dado a programas de treinamento e requalificação, para que os trabalhadores possam se requalificar e se tornarem aptos a desempenhar outras atividades, além de aumentar sua produtividade e competitividade.

5 – Restaurar o valor real do salário mínimo federal

Há uma enorme disparidade entre trabalhadores que ganham um salário mínimo e o resto dos trabalhadores. O salário mínimo – e no Brasil isso é cruelmente verdadeiro – é muito baixo e incapaz de prover o sustento adequado a um indivíduo e sua família, o que acaba refletindo na capacidade de crescimento e desenvolvimento do próprio trabalhador, em um círculo vicioso.

No estudo, os pesquisadores falam em um aumento real de 40% no valor do salário mínimo, e reajustes atrelados à inflação, mas no caso do Brasil sabemos que o valor do salário mínimo é muito mais defasado do que isso e deveria ser aumentado em duas ou três vezes o valor atual.

De acordo com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o salário mínimo no Brasil hoje deveria ser de mais de R$ 5000,00 mensais , mas na prática é de apenas R$ 1045,00.

6 – Modernizar e estender os benefícios aos desempregados

Medidas deveriam ser tomadas para melhorar os benefícios e seguros para desempregados, como o seguro-desemprego, além de estender esses benefícios a trabalhadores que não tem essa cobertura, como trabalhadores informais, por exemplo.

7 – Reforçar e adaptar a legislação trabalhista

As leis trabalhistas devem ser melhoradas e melhor aplicadas. A forma de representação dos grupos de trabalhadores precisa ser repensada e inovada, pois o modelo atual de sindicatos muitas vezes torna o processo de negociação salarial mais difícil para o trabalhador (que é o inverso do esperado!). Além disso, muitos grupos de trabalhadores não possuem nenhuma forma de negociação coletiva (ou é limitada), como trabalhadores em setores rurais ou empregados domésticos, por exemplo.

8 – Aumentar os gastos do Governo com pesquisa

Para alimentar a inovação e garantir que seus benefícios atinjam todos os trabalhadores, é necessário ampliar o investimento em pesquisa, principalmente em áreas nas quais o setor privado não investe muito.

Algumas das áreas que se beneficiariam muito com o aumento dos gastos em pesquisa seriam as áreas da saúde, mudanças climáticas e violência urbana, com o intuito de desenvolver novas tecnologias que permitam mitigar esses tipos de problemas – usando, inclusive, inteligência artificial, robótica e ciência básica em geral com esse fim.

9 – Expandir a geografia da inovação

A inovação – ou as empresas inovadoras – geralmente se concentram em áreas geográficas específicas. Nos EUA, por exemplo, a inovação tecnológica se dá primariamente na área conhecida como “Vale do Silício”, na Califórnia. De forma similar, temos polos tecnológicos no Brasil, como por exemplo o Porto Digital em Recife (PE), ou o Parque Tecnológico em São José dos Campos (SP).

A ideia é que esses polos sejam estendidos a outras regiões do país, e o ideia seria que cada estado da federação tivesse o seu próprio polo tecnológico para inovação, como uma espécie de “Vale do Silício” em cada unidade federativa.

10 – Equilibrar os impostos sobre o capital e o trabalho

É necessário inovar na legislação tributária também, alterando a forma como os impostos e taxas são aplicados e cobrados atualmente, para que possam favorecer investimentos em inovação tecnológica e pesquisa, em vez de favorecer apenas investimentos em capital (Bancos são importantes, mas Universidades de ponta e Empresas que desenvolvem tecnologias são muito mais).

Além disso, os empregadores precisam ter a carga de impostos que pagam diminuída, para que possam investir mais nas próprias empresas e em treinamento para qualificar seus funcionários, além de poder pagar melhores salários.

Uma ideia citada no artigo é a de criar uma espécie de “Crédito de Treinamento”, que permitiria ao empregador deduzir impostos ao investir em treinamento e qualificação de seus funcionários.

Conclusão

Em suma, a era da Automação e da Inteligência Artificial é inevitável, e se não nos prepararmos de forma adequada para este futuro (que tem tudo para ser brilhante), poderemos acabar com problemas ordens de magnitude maiores do que já temos, levando ao caos social e miséria de (mais) milhões.

Referências

Big Think – 10 ways to prepare for the rise of intelligent machines – MIT study

MITThe Work of the Future: Building Better Jobs in an Age of Intelligent Machines

Sobre Fábio dos Reis (1394 Artigos)
Fábio dos Reis trabalha com tecnologias variadas há mais de 25 anos, tendo atuado nos campos de Eletrônica, Telecomunicações, Programação de Computadores e Redes de Dados. É um entusiasta de Unix, Linux e Open Source em geral, adora Eletrônica e Música, e estuda idiomas, além de ministrar cursos e palestras sobre diversas tecnologias em São Paulo e outras cidades do Brasil.
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