Curso de Eletrônica – Como usar um Multímetro

Como usar um Multímetro

Um Multímetro é um aparelho para testes e medição de grandezas elétricas, extremamente popular entre técnicos e engenheiros eletrônicos devido à sua grande utilidade, permitindo, mesmo nos modelos mais simples, efetuar a medição de Corrente, Tensão e Resistência Elétricas, permitindo assim realizar diversos tipos de diagnósticos em circuitos elétricos. Alguns modelos mais incrementados permitem realizar medições adicionais, como Capacitância, Frequência, Temperatura, Indutância e outras.

Vamos utilizar neste artigo um Multímetro Digital, pois é o tipo mais amplamente usado hoje em dia, em larga escala. Porém, existem também os multímetros Analógicos, dos quais falaremos posteriormente. Os multímetros também podem ser de Bancada, que geralmente possuem várias funções extras, mais alcance de escala e maior precisão, e portáteis (de mão), muito úteis para carregar em uma maleta de ferramentas ou bolsa. Vamos usar um multímetro portátil neste artigo para realizar medições.

Antes de prosseguir, recomendamos que o leitor revise seus conhecimentos sobre alguns conceitos básicos de eletricidade, tais como:

Partes de um Multímetro

Um multímetro possui três partes principais:

  • Display (Visor)
  • Botão de Seleção (Chave Seletora)
  • Bornes onde são conectadas as Pontas de Prova (Ponteiras)

O Visor é onde os resultados das medições são exibidos. Dependendo do modelo do multímetro, pode ter 3 ou mais dígitos, e um dígito adicional para representar o sinal de negativo.

O botão de seleção é um botão rotativo, de múltiplas posições, que usamos para selecionar a função que desejamos medir, e a precisão da escala de medição, e também para desligar o multímetro quando não em uso, para economizar sua bateria, que geralmente é uma bateria de 9 V.

As ponteiras são conectadas em bornes específicos presentes no multímetro, sendo uma ponteira geralmente na cor vermelha para representar a polaridade positiva, e outra ponteira na cor preta, para representar a polaridade negativa. Comumente, um multímetro possui mais de dois bornes de conexão para as ponteiras, os quais permitem a medição de outras grandezas quando as ponteira são trocadas de conector.

Na foto abaixo podemos ver um exemplo de um multímetro típico (um Minipa modelo ET-2020), o qual usarei nas medições apresentadas no artigo:

Multímetro Minipa ET-2020

Multímetro Minipa ET-2020

Esse multímetro nos permite realizar medições de Tensão Alternada e Contínua, Resistência, Corrente Elétrica (contínua apenas), realizar teste em baterias de 1,5 V e 9 V, e testar o ganho (hFE) de transístores NPN e PNP, além de realizar teste de continuidade. A figura abaixo mostra a localização de cada uma dessas funções na escala do multímetro:

Grandezas medidas pelo multímetro e escalas

Grandezas medidas pelo multímetro e suas escalas

Para efetuar essas medições, é necessário conectar as pontas de prova nos bornes corretos. A figura a seguir mostra as funções que são medidas em cada borne, lembrando que a ponteira preta sempre deve ser conectada ao borne COM, e a vermelha, ao demais bornes, conforme o teste que se deseja realizar:

 

Bornes do multimetro e suas funções

Bornes do Multimetro e conexão das ponteiras

Efetuando Medições

Para efetuarmos medições, a primeira coisa a se fazer é determinar a grandeza a ser mensurada. Vamos começar efetuando medição de Tensão Elétrica. Para isso, vamos conectar as pontas de prova nos bornes conforme segue:

  • Ponteira vermelha no borne
  • Ponteira preta no borne COM

Agora, precisamos determinar que tipo de tensão elétrica vamos medir: Contínua (DCV) ou Alternada (ACV) . Vou efetuar a medição de uma Bateria de 9V, que opera com Tensão Contínua. Para isso, precisamos localizar no Multímetro a escala de tensão contínua, e ajustar sua precisão para acomodar o valor que pretendemos medir, que é de aproximadamente 9V. Para isso, escolhemos na escala o valor que for mais próximo e acima do valor esperado na medição, para evitar danos ao multímetro. Se estiver com dúvida com relação ao valor da tensão que será medida, coloque a chave de seleção no valor mais elevado e depois vá baixando, para aumentar a precisão, até o valor máximo ainda seguro para a medição.

No meu caso, o valor de escala mais próximo e acima de 9V é o de 20 DCV (tensão contínua), que permite medir valores de 0 até 19,99 V. Veja a escala selecionada na figura abaixo:

Multimetro - Escala de tensão DCV 20

Vamos à medição. Após selecionar a escala correta no aparelho girando a chave seletora, conecte as pontas de prova aos pólos da bateria, com firmeza, e verifique no visor do multímetro o valor medido. Caso você inverta a polaridade das ponteiras, não haverá problema, pois o multímetro mede a tensão em relação ao ponto comum (COM). Neste caso, a única diferença que você verá é que o sinal aparecerá com o sinal de negativo no visor.

Veja a medição realizada na figura abaixo:

Medindo uma bateria de 9V com o multimetro

Medindo a tensão elétrica de uma bateria de 9V com o multimetro

Note o valor medido: 9,81 V, um pouco acima do esperado para esta bateria, que é de 9 V. Isso pode se dar por conta de ajustes de calibração do multímetro ou por conta de variações na tensão da bateria em si. Note que esse multímetro possui uma posição específica para medição de baterias, tando de 9V quanto pilhas de 1,5V. Mas muitos multímetros não possuem essa opção, então a forma mais comum de efetuar essa medição é a que acabamos de mostrar.

Medindo Tensão Alternada: Rede Elétrica

Vamos medir agora a tensão da rede elétrica, em uma tomada de 110 V. Essa tensão é alternada, portanto vamos ter de alterar a posição da chave seletora para ACV, escolhendo a escala de 200 V (neste caso sabemos o valor que será medido; caos não soubéssemos se a tomada é de 110 V ou de 220 V, deveríamos colocar a chave seletora na posição 750 V para não danificar o multímetro). Veja a medição na figura a seguir:

Medindo Tensão Alternada com um Multímetro

Medindo Tensão Alternada com um Multímetro

O valor medido foi de 116,3 V, dentro da normalidade para a rede elétrica convencional. Lembre-se de que se for medir uma tomada de 220 V, ou se não souber a tensão da tomada, coloque o multímetro na escala de 750 ACV (ou a mais alta que seu multímetro possuir) para evitar acidentes.

Medindo Resistência Elétrica

Vamos efetuar agora a medição de Resistência Elétrica de um resistor. O resistor possui a marcação de sua resistência em seu corpo, mas vamos supor que não houvesse tal marcação, ou que ela fora apagada. Neste caso, vamos começar colocando a chave seletora na escala de medição de resistência (Ω), no valor mais alto presente no multímetro, que é a posição 200 M (200 MegaOhms). Não precisamos nos preocupar com a polaridade para esta medição, e é importante notar que o componente deve estar desconectado de qualquer circuito. Portanto, se você quiser medir um resistor que esteja soldado a uma placa, será necessário soltar (dessoldar) ao menos um de seus terminais, de modo que a medição não sofra influência dos demais componentes conectados ao circuito.

Veja a medição inicial na figura a seguir:

Medindo Resistência com o Multímetro: Posição 200 M

Medindo Resistência: Posição 200 M

Na posição 200M (que mede até 200 MΩ), o multímetro mostra o valor 01,0. A precisão do valor mostrado é muito baixa, e isso nos indica que a faixa da escala escolhida está muito elevada. Vamos alterar a posição da chave seletora para 20M para conseguirmos maior precisão nessa medição:

Medindo Resistência: Posição 20 M

Medindo Resistência: Posição 20 M

Note que agora o valor mostrado é de 0,05, ainda muito impreciso. Vamos mudar novamente a posição da chave seletora, abaixando um nível da escala, para 2000K (que equivale a 2M):

Medindo Resistência: Posição 2000 K

Medindo Resistência: Posição 2000 K

Na posição 2000K temos uma precisão melhor. Veja que o multímetro agora mostra o valor 051, e como a escala está em KΩ, isso indica que a resistência do resistor é de 51 KΩ. Podemos obter maior precisão nessa medição alterando novamente a escala, pois temos uma posição mais próxima de 51 KΩ, que é a posição 200K:

Medindo Resistência: Posição 200 K

Medindo Resistência: Posição 200 K

Conseguimos a melhor precisão possível para essa medição: 51,6 na posição 200K, o que significa que a resistência medida é de 51,6 KΩ. Esse resistor é, na verdade, um resistor de 47 KΩ, e o valor apresentado (um pouco acima) se deve à tolerância do valor da resistência, que é de 10%. Portanto, o resistor pode ter sua resistência entre 42,3 KΩ e 51,7 KΩ (47 ±10%), o que indica que nosso resistor está em bom estado.

O que acontece se tentarmos medir esse resistor em uma escala mais abaixo? Vamos medi-lo agora alterando a posição da chave seletora para 20 K:

Medindo Resistência: Posição 20 K

Medindo Resistência: Posição 20 K

Veja que agora o multímetro não mostrou nenhum valor de resistência, e em vez disso, mostrou o valor “I”. Interpretamos esse valor com sendo “Infinito”, ou seja, o valor medido está além do valor máximo que pode ser medido nessa posição da escala. Neste caso, basta alterar a chave seletora para uma posição acima, ou até que um valor concreto seja mostrado no visor.

Vamos medir a resistência de um pedaço de fio de cobre agora.

Medindo a Resistência de um Fio de Cobre

Um fio de cobre é um excelente condutor de eletricidade, e justamente por isso esperamos medir um valor de resistência muito baixa, tendendo a zero ohms. Na prática, fatores como o comprimento do fio, seu diâmetro, se é sólido ou de fios trançados, sua temperatura, etc. influenciam no valor da resistência medida. De qualquer forma, esperamos que o valor medido seja muito baixo, e por isso vamos colocar a escala do multímetro no menor valor possível, que no caso do meu aparelho é de 200 Ω (ou seja, mede até 200 ohms). Veja na figura a seguir essa medição sendo realizada:

Medindo um fio de cobre com o multímetro

Medindo um fio de cobre com o multímetro

O valor medido foi de apenas 6,7 Ω e, na prática, pode ser até um pouco menor, devido ao contato entre as pontas de prova e o pedaço de fio, que é imperfeito. Também usei uma garra jacaré para fixar uma das ponteiras ao fio, pois precisei de uma das mãos para disparar a fotografia!

Esse tipo de medição é muito útil para testar, por exemplo, cabos de força de equipamentos, que podem estar rompidos e, assim, impedir que a energia elétrica chegue ao aparelho, tornando-o inoperante. Caso a resistência medida seja maior do que alguns poucos ohms, ou se aparecer o valor “I”, então o cabo estará com problemas – provavelmente rompido.

Na parte 02 desta lição sobre Multímetros vamos efetuar a medição de Corrente Contínua em um circuito simples e, posteriormente, medir o ganho de transístores NPN e PNP.

 

Sobre Fábio dos Reis (1298 Artigos)
Fábio dos Reis trabalha com tecnologias variadas há mais de 25 anos, tendo atuado nos campos de Eletrônica, Telecomunicações, Programação de Computadores e Redes de Dados. É um entusiasta de Unix, Linux e Open Source em geral, adora Eletrônica e Música, e estuda idiomas, além de ministrar cursos e palestras sobre diversas tecnologias em São Paulo e outras cidades do Brasil.
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18 Comentários em Curso de Eletrônica – Como usar um Multímetro

  1. Alexandre // 25/11/2016 em 10:37 // Responder

    Meu muito boa sua explicação, gostei muito, porém fiquem com uma dúvida em relação a medição do fio, se eu tenho um fio paralelo e este tem 30 mt de distância, como sei se ele está rompido?

  2. Anotei muitas informações de multimetro e quero saber quanto custa o curso completo, pois parece muito bom.
    At. Mário

  3. Omar Júnior // 26/03/2017 em 14:08 // Responder

    Considero o seu Canal de Vídeos e Cursos como o melhor do You Tube. Você tem excelente didática,vasto conhecimento e dedicação para ensinar. Obrigado Fábio Reis

  4. Humberto Rocha // 01/07/2017 em 5:23 // Responder

    Bom dia Fábio, olha estou começando a estudar em casa está matéria é já procurei muito na internet, e vou confessar que a sua maneira de ensinar superou todas as minhas necessidade de aprendizagem. Parabéns mesmo.

  5. Rogério Lobo // 10/07/2017 em 22:52 // Responder

    Gostei muito, sou iniciante e não sei usar ainda um multimetro porem estes esclarecimentos foram muitosuteis. obrigado

  6. Bruno Carlone // 23/07/2017 em 19:00 // Responder

    Excelentes esclarecimentos , e informações , muito grato .

  7. Freitas Sumbi // 01/12/2017 em 11:47 // Responder

    Viva F.Reis,
    Curti muito essa dica de utilização de Multímetro. Fiz o curso de electronica em 2007 (Luanda em Angola), mas muitas coisas tinha esquecido … Quando li este artigo compreendi e estou Apto para desempenhar o melhor o meu trabalho … MUITO OBRIGADO

    Freitas Sumbi
    Luanda – Angola,

  8. MARCO ANTONIO DE OLIVEIRA MELO // 21/01/2018 em 19:30 // Responder

    OLÁ GOSTARIA UMA AULA DE MEDIDOR DIGITAL

  9. Thaynara Almeida // 28/04/2018 em 23:59 // Responder

    Cara, gostei muito do esclarecimento, quero saber como fica o curso completo; Valeu!

  10. Eucliedes theodosio // 03/06/2018 em 22:20 // Responder

    Boa noite meu jovem não quero te incomodar muito,porem ja que estou ,poderas me fazer um grande favor:
    Na escala do meu Multimetro entre á escala de diodo e á hFE tem uma simbologia que eu ja hã vi antes porém não consigo identifica-la (_Π_l) não é bem isso mais è parecido,meu multimetro é um thompson de R$ 23,00,se o amigo puder identifcar esta escala para mim eu lhe ficaria muito grato At.Euclides.

  11. alam pereira // 01/12/2018 em 21:02 // Responder

    meu nobre amigo, se assim posso chama-lo?,você é de uma simplicidade estrondosa,seu método de ensino é extraordinário, sou leigo no assunto mas depois desta sua explicação já me “sinto doutor no assunto” parabéns Fábio. gostaria de participar de seus curso, como faço?, aguardando respostas.

  12. Joao Marcos M Dantas // 31/12/2018 em 20:58 // Responder

    Boa noite. não entendo nem de eletrônica nem de eletricidade alternada, como posso aprender através desse curso. tem apostilas, como funciona, poderia me explicar? estou aposentado por invalidez e gostaria de fazer algo que não tivesse que fazer muito esforço. Gostei do que lí. Obrigado.

  13. João Otávio Sencades de Almeida // 14/01/2019 em 21:51 // Responder

    Muito boa explicação, com certeza nos inspira a aprender. Gostaria de fazer parte

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